18.03.2011Precisamos dos imigrantes

Em alguns países europeus parece que se considera aos imigrantes como marginais, assim como aos sem-teto, aos droga-adictos ou aos presidiários. No entanto, os imigrantes são pessoas que têm uma vida normal em seus países mas que apenas estão procurando um posto de trabalho que melhore seu nível de vida.
Muitos sofrem de exclusão social. Os que não têm acesso à educação; os que não contam com serviços sanitários; os que são explorados laboralmente, sem contratos ou ameaças por empresários inescrupulosos. Sem falar nos que são maltratados pela cor da pele ou os que caem em redes de tráfico desumanas; ou os que são induzidos à delinquência, ao se aproveitarem de sua pobreza. As associações de Direitos Humanos trabalham na Europa com crescente eficácia contra essas atitudes xenófobas. Todos os dias contam com uma maior presença nos meios de comunicação ou centros educativos, com um trabalho preventivo diante da propagação de focos de intolerância, que nascem da ignorância e do medo do desconhecido.
As ONGs proporcionam muitos serviços assistenciais que deveriam ser cobrados das administrações públicas. O papel das organizações humanitárias deve se concentrar na promoção dos valores do intercâmbio cultural. O que cabe aos voluntários é uma atitude que eduque, que sensibilize e que acolha ao imigrante sem preconceitos.
Nada mais justo que cada país organize seu ordenamento jurídico para regular essas imigrações e adaptá-las às suas circunstâncias sociais, econômicas e políticas. No entanto, isso não significa olhar aqueles que parecem ameaçar as fronteiras deste caduco continente como um perigo, mas como uma oportunidade. Devemos escutá-los, respeitá-los e compartir riquezas. Sem impôr-lhes um modelo cultural que os faça renunciar ao seu, ou tratar de absorvê-los.
A história demostra que o sangue novo revitaliza as estruturas enferrujadas pelo tempo. O emigrante sempre tem razões para deixar sua terra. Convém fazer um exercício de abstração e se colocar em uma realidade socio-econômica hostil. Ou ter memória e lembrar por quê se foram milhares de espanholes, dos quais hoje quase dois milhões continuam vivendo fora.
O que não lhes for reconhecido pela justiça nos será arrebatado pela força, em nome desta mesma justiça. Já não há espaço para neocolonialismos ou ajudas paternalistas. É necessário a solidariedade como determinação firme e perseverante de trabalhar pelo bem de todos. Pelo nosso também, porque precisamos deles.

José Carlos García Fajardo
Profesor Emerito da Universidade Complutense de Madrid. Diretor do CCS.
fajardoccs@solidarios.org.es