15.04.2011Compromisso do voluntário social

Às vezes, quando um voluntário social vai visitar um funcionário público, este o trata como se estivesse pedindo emprego, ou lhe marca uma entrevista para “dentro de alguns meses”, ou sua secretária o despacha com um “volte outro dia”.
Se é verdade que ninguém nos obriga a desempenhar serviços de voluntariado, a não ser por um imperativo ético que levanta a voz diante de tanta injustiça, também é verdade que algumas pessoas têm os chips trocados.
Um voluntário social, e ainda mais se desempenha tarefas de responsabilidade em uma associação humanitária, costuma ser uma pessoa ocupada com seu trabalho, que possui família e que normalmente cumpre suas obrigações como cidadão.
Estas pessoas roubam algumas horas de seu descanso para reinterar a sociedade civil denunciando injustiças, aportando propostas alternativas cheias de imaginação, ao mesmo tempo que acude à cabeceira de um doente terminal, a um presídio, ao domicílio de um ancião que vive sozinho, a dar banho em descapacitados profundos em um “Cottolengo”, a um centro de acolhida de imigrantes, a compartir o duro caminho de quem luta para se livrar das drogas, a preparar medicamentos ou livros para enviar a outros países. E isto sem pretender mudar ninguém, mas sim apreciando o luxo de ser recebido por quem sofre com os excessos do nosso modelo de desenvolvimento, ou com a insensibilidade dos governantes, ou com a cegueira daqueles que vivem para trabalhar e que colocam aos benefícios como horizonte de vida.
Um voluntário é uma pessoa comprometida com a causa da justiça, que fica do lado dos mais fracos e que não pede esmolas, nem favores, nem privilégio algum.
Pelo contrário, oferece a oportunidade de ser admitido no grupo dos poderosos para participar na recomposição das estruturas prejudicadas pela nossa ignorância. É duro ser tratado como um estrangeiro no seu próprio ambiente, no seu lugar de trabalho, por seus companheiros que, nestas circunstâncias, esquecem-se de seu prestígio profissional ou seu valor humano.
Ninguém deixa de ser quem é por desempenhar suas tarefas de voluntariado, e tem o direito a exigir o mesmo tratamento que receberia um cliente, um benfeitor ou simplesmente, um ser humano inteligente.
Se alguém permite tocar na ferida é para animar a esses milhares de mensageiros da paz e da esperanza que, cedo ou tarde, abrirão as amplas alamedas.

José Carlos García Fajardo
Profesor Emerito da Universidade Complutense de Madrid. Diretor do CCS.
fajardoccs@solidarios.org.es