13.05.2011O desafio da maturidade

Disse Alistair Shearer que se aprende a fazer bem, aquilo que se pratica; e que a grande renúncia dos praticantes do budismo originário não é um modelo que se tenha que seguir literalmente, mas que se pode considerar como uma metáfora da vontade, para superar velhas disputas e empreender uma viagem em direção ao descobrimento de si mesmo e do mundo.
Como o budismo não rechaça nenhuma religião, mas sim as respeita, encontra-se numa posição privilegiada para afrontar o desafio do futuro com as conquistas das ciências e das novas tecnologias. Emerge um mundo novo que, assim como o novo vinho, não suporta odres velhos.
A importância de que na vida do budista praticante haja a contemplação e o conhecimento de si mesmo, reduz a possibilidade de que as fantasias pessoais cheguem a se projetar como indicações de algum ser divino e provoquem os desastres dos fundamentalismos religiosos.
O que pode ter parecido uma moda se afirma em nossos dias com reflexões e conquistas importantes. O budismo está em plena expansão no Ocidente.
Superada a tentação do New Age, a discriminação budista se afirmou em um realismo cheio de simplicidade, de adaptação e de profunda experiência que abre horizontes ilimitados.
O laicismo que surge da Reforma Protestante apoiou a doutrina do individualismo que facilitou o progresso, mas que conduziu a uma experiência de solidão crescente na constatação de uma injustiça social insustentável que afoga o futuro.
Alistair afirma que o maior recurso sem explorar da humanidade – a sua própria consciência – foi ignorado durante muito tempo e assim se ignorou a possibilidade de níveis de realidade distintos aos relacionados com o campo da objetividade. Não é possível seguir considerando a manipulação e reestruturação da ordem externa – política, social, econômica – como a única solução possível, e ignorar a acessibilidade a outros níveis de realidade.
Mas como o conhecimento implica ação, percebe-se uma mudança de atitude em todos os campos – médico, ecológico, espiritual – que aponta em direção a uma visão mais ampla das possibilidades do ser humano.
A cultura tem sido determinada por perspectivas pertencentes às duas primeiras etapas da vida: a infância, caracterizada pela dependência; e a adolescência, caracterizada pela reação visando à independência. Aguarda-nos a etapa da maturidade caracterizada pela transcendência de si mesmo. Não seria prudente ignorar este caminho junto a outras alternativas.

José Carlos García Fajardo
Profesor Emerito da Universidade Complutense de Madrid. Diretor do CCS.
fajardoccs@solidarios.org.es