27.05.2011Uma revolução espiritual e ética

O Dalai Lama envia uma mensagem a toda humanidade em “A arte de viver no novo milênio”. Faz-nos um apelo para que nos asseguremos de fazer com que nossa vida esteja tão repleta de sentido quanto possível, preocupando-nos em sermos felizes.
Só podemos empregar bem o presente. Devemos nos comportar de forma responsável e com compaixão pelos outros. A compaixão, assim como a justiça, a solidariedade, o exercício da liberdade e todas as virtudes, exigem relação com os demais. Esse comportamento obedece aos nossos interesses porque é a fonte de toda felicidade e alegria, e o fundamento para se ter um bom coração. Nossa felicidade está unida à felicidade dos demais. É impossível ser feliz sozinho.
Por meio da amabilidade, do afeto, da honestidade, da verdade e da justiça em relação a todos, asseguramos nosso próprio benefício. Faz parte do sentido comum.
Por isso podemos rechaçar a religião, a ideologia e a sabedoria recebidas por nossos mais velhos, mas não podemos fugir da necessidade do amor e da compaixão. “Esta é minha religião verdadeira, minha simples fé. Não é preciso um templo ou uma igreja, uma mesquita ou uma sinagoga; não há necessidade de uma filosofia complicada, de uma doutrina ou de um dogma. O templo deve ser nosso próprio coração, nosso espírito e nossa inteligência. O amor pelos demais e o respeito pelos seus direitos e sua dignidade, não importando quem sejam e o que possam ser. Isto é do que todos precisamos”.
À medida que pratiquemos estas verdades em nossa vida cotidiana, pouco importará que sejamos cultos ou incultos, que creiamos em Deus ou em Buda, que sejamos fiéis de uma religião ou outra, ou de nenhuma em absoluto. À medida que tenhamos compaixão pelos demais e nos conduzamos com a devida contenção, a partir de nosso sentido de responsabilidade, seremos felizes.
“Com amabilidade e com valentia, acolha aos demais com um sorriso. Seja claro e direto. E procure ser imparcial. Trate a todos como se fossem seus amigos. Tudo isto não digo na qualidade de Dalai Lama. Falo somente como um ser humano; como alguém que, igual a você, deseja ser feliz e não sofrer”.
Quando alguns se assomam às máscaras de espelhos dos voluntários, podem encontrar respostas na convocatória do Dalai Lama a uma revolução espiritual que supõe uma revolução ética.

José Carlos García Fajardo
Profesor Emerito da Universidade Complutense de Madrid. Diretor do CCS.
fajardoccs@solidarios.org.es